Recepção da Festa Nacional (14 de Julho de 2011). [fr]

Caros amigos portugueses, caros compatriotas, caros amigos da França,

A minha mulher, eu próprio e os funcionários da embaixada de França estamos felizes por vos receber no Palácio de Santos para celebrar o 14 de Julho. Saúdo todos os interlocutores e parceiros da Embaixada e agradeço a sua cooperação e disponibilidade.

O 14 de Julho é, há mais de cento e trinta anos, a Festa nacional francesa. Comemora, não a tomada da Bastilha mas sim a Festa da Federação, que teve lugar um ano mais tarde, a 14 de Julho de 1790. Esta Festa, para utilizar as palavras ditas em 1880, era o « símbolo da união fraterna de todos os partidos da França e de todos os cidadãos franceses, na liberdade e na igualdade ».

Estes ideais – liberdade, igualdade, fraternidade –, são partilhados e amados pela França e por Portugal, que há um século eram (com a Suíça) as únicas repúblicas na Europa. Eles transformaram as nossas sociedades, mas continuam a ser aspirações por satisfazer. Neste período de profundas mudanças e de redistribuição da riqueza e do poder no mundo, a Europa tem de ser o espaço onde estes ideais devem ser implementados :

- A liberdade, a União europeia reconquistou-a sobre as ruínas da Segunda Guerra Mundial e defendeu-a durante a guerra fria: é agora, perante outros desafios, sejam eles económicos, financeiros ou de segurança, que devemos preservar a nossa liberdade e ser donos do nosso destino. Os povos árabes mostraram-nos, há seis meses, que o desejo de liberdade não tem fronteiras. Para a França e Portugal, países do sul da Europa, esse feito deverá abrir uma nova era nas relações entre as duas margens do Mediterrâneo.

- A igualdade, é a dos direitos e das dignidades. A União europeia construiu-se no respeito por todos seus membros. A evolução espontânea do mundo tende a aumentar as desigualdades. O desafio que nos é colocado é o de preservar o modelo social europeu, para atenuar e corrigir essas desigualdades e o de garantir a sua viabilidade económica.

- A fraternidade, por fim. Precisamos cada vez mais de fraternidade pois a crise actual provoca um isolamento egoísta a todos os níveis – na família, na região, na nação. Ora, as nossas sociedades e a União europeia precisam de fraternidade e de solidariedade para manter o elo social e o desejo de vivermos juntos com um destino comum. Ernest Renan, escritor, filósofo e historiador francês do século XIX, disse-o melhor do que ninguém : « Uma nação é uma grande solidariedade, constituída com a noção dos sacrifícios que fizemos e dos que ainda estamos dispostos a fazer. Ela pressupõe um passado; no entanto, resume-se no presente a um um facto tangível: o consentimento, o desejo claramente expresso em prosseguir uma vida comum ».

A França e Portugal são duas velhas nações confrontadas com os problemas e os desafios do início do século XXI. É juntos que devemos enfrentá-los e superá-los. Os nossos povos estão intimamente ligados – sou a prova disso e reafirmo a honra e a alegria que sinto em representar a minha pátria, a França, na pátria de grande parte dos meus antepassados, Portugal. As nossas histórias cruzam-se, feitas de alegria e de tristeza, mas o nosso presente e o nosso futuro estão na união. Partilhamos a mesma visão do projecto europeu e, pelo facto de termos há muito tempo uma história com horizontes largos, temos também a nítida consciência da diversidade do mundo e da importância da relação entre a Europa e os outros continentes, no contexto da globalização.

Nestes tempos difíceis para os nossos concidadãos e para as nossas empresas, devemos redobrar esforços, apoiar-nos mutuamente e dar esperança aos jovens. Deverá ser nosso o apelo lançado há cerca de 160 anos por Alexandre Herculano, grande escritor e historiador português : « Que somos nós hoje ? Uma nação que tende a regenerar-se: diremos mais, que se regenera ». Vamos superar os desafios de hoje tal como conseguimos superar os da nossa longa história.

Caros amigos, partilhemos pois este momento de convívio que não seria possível sem o patrocínio de várias empresas : Bouygues, Citroën/Peugeot, Air France, Covilis Saint-Gobain, Accor, Lacoste, Ramos Pinto, Pernod Ricard, Mumm, Intermarché, Sopexa, Unicer, Eric Kayser, Lactalis, Sumol-Compal, Président, Valrhona, Escola de Turismo de Portugal, Société immobilière Chez Vous, Nespresso, L’Oréal, Jean-Louis David, L’Occitane, France 24, Securitas, sem esquecer Isabo e Ana Calheiros. Agradeço muito sinceramente a todas, assim como às empresas (por vezes as mesmas) que apoiam algumas das nossas actividades culturais como a Festa do cinema francês, evento que atrai, todos os anos, cada vez mais público, e que apoiam também o bazar diplomático.

Bom 14 de Julho a todos. Viva a França ! Viva Portugal !

publicado em 26/10/2011

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