Imposição das insígnias de Chevalier des Arts et Lettres ao Dr. Pedro Miguel Abelha de Lapa Almeida [fr]

Senhoras, Senhores, Caros amigos,
Muito obrigado pela vossa presença!

Caro Pedro Lapa,

Estamos aqui hoje reunidos, no Palácio de Santos, para honrar o seu percurso mas, também, para lhe agradecer a amizade que dedica, desde há muito tempo, ao nosso país.

O Senhor cresceu num meio familiar artístico, estudou Línguas e Literaturas Modernas na Universidade Clássica de Lisboa e especializou-se em literatura portuguesa e francesa.

Depois de ensinar português durante vários anos, o seu percurso cristaliza-se com a entrada, em 1991, no Museu Nacional de Arte Contemporânea de Lisboa.

Desde esse altura, subscreveu o comissariado de uma centena de exposições em instituições de renome, portuguesas e estrangeiras.
Cada uma das suas intervenções contribuiu, de uma forma notável, para a renovação daquilo que tão bem define como “a proposta artística” de Portugal. O Pedro Lapa é realmente conhecido pelo seu espírito inovador.

Com efeito, não podemos evocar o seu percurso profissional sem referir o Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado, tão forte é a sua ligação com esse local.

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Ocupou-se da reorganização e orientação artística de todo o Museu. Este trabalho, que dirige desde os anos 90, faz eco do grande projecto de reestruturação dos espaços do Museu oferecido pela França, trabalho conduzido, também brilhantemente, pelo Arquitecto francês Jean-Michel Wilmotte, na sequência do incêndio que devastou uma grande parte da baixa de Lisboa, em 1988.

Aproveito a oportunidade para saudar esta parceria exemplar que traduz os laços fortes que unem os nossos dois países no domínio cultural. Caros amigos, convido-os, muito calorosamente, a visitarem o Institut français du Portugal no próximo dia 12 de Abril, onde iremos receber Jean-Michel Wilmotte para uma conferência sobre este tema.
Mas, voltemo-nos de novo para si, Pedro Lapa, e ao talento que empregou para dar alma nova ao Museu do Chiado.

A sua política de aquisição de obras recentes, provenientes da segunda metade do século XX, vai de par com a implementação de uma política artística focada nas exposições temporárias. Também deu a conhecer obras de artistas que pertenceram a décadas menos representadas na colecção permanente e revelou, com brio, as de artistas menos conhecidos.

O reconhecimento do seu trabalho traduziu-se em 1998 pela sua nomeação para a Direcção do Museu Nacional de Arte Contemporânea de Lisboa, uma instituição que dirigiu durante onze anos de uma forma notável.

O Pedro Lapa está na origem da abertura do museu à fotografia e ao vídeo: a exposição sobre João Onofre, Nothing Will go wrong, em 2003, com o Centro de Arte Contemporânea de Santiago de Compostela, é disso um exemplo marcante.

A criação do programa « Interferências » desenvolvido de 1998 a 2002, destinado a apresentar obras realizadas para esse fim por artistas contemporâneos nacionais e internacionais, é mais um exemplo da modernidade da sua maneira de actuar.

O seu trabalho encorajou a modernidade e a contemporaneidade do chamado, a justo título, Museu Nacional de Arte Contemporânea.
Além da sua experiência no Museu do Chiado, o Senhor foi também conservador encarregado das exposições de arte contemporânea no Centro Cultural de Belém entre 1996 e 1998. Foi aí que organizou, com outros comissários, a célebre exposição “Life/Live”, reagrupando obras de artistas tais como Douglas Gordam ou John Latham.

Em 2000, na qualidade de comissário do pavilhão português da 49ª. Bienal de Veneza, encomendou e apresentou uma obra do artista João Penalva.

Organizou, em 2001, uma retrospectiva sobre o pintor Amadeo de Souza-Cardoso no Museu das Belas Artes Pouchkine, por ocasião da visita do Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio.

Conservador da Ellipse Foundation de 2004 a 2008, Pedro Lapa realizou o ciclo de conferências “Ellipses Lectures”, com os maiores filósofos estéticos contemporâneos como Jacques Rancière, Girogio Agamben ou Samuel Weber.

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A sua actividade estende-se bem para além da conservação de museus e do comissariado de exposições uma vez que é também autor de numerosas publicações, monografias, ensaios e catálogos de exposição que contribuem para a investigação científica sobre temas que lhe interessam. Citarei especialmente o belíssimo catálogo do Museu do Chiado, Arte Portuguesa 1850-1950, criado no momento da reorganização do Museu, e nos quais são apresentados elementos fortes da colecção, com estudos individuais sobre cada obra.

O Senhor é também co-autor do primeiro catálogo comentado realizado em Portugal, dedicado à obra de Joaquim Rodrigo e assinou mais de trinta publicações individuais sobre a arte moderna e contemporânea portuguesa e internacional.

Prosseguiu ainda a sua actividade de professor na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde é professor convidado.
O reconhecimento do seu trabalho é unânime. Em 2007 recebeu o Prémio do Grémio Literário pelo seu ensaio Columbano Bordalo Pinheiro, uma Arqueologia da Modernidade, e pela exposição Columbano Bordalo Pinheiro 1874-1900, realizada no Museu do Chiado.

Em 2009, o Instituto Cultural Romeno de Lisboa atribui-lhe o título honorífico Amicus Romaniae.

E finalmente,
Há quase precisamente um ano, dia por dia (a 25 de Março de 2011), Pedro Lapa é nomeado para a direcção artística do Museu Berardo, com um largo consenso no meio cultural. Esta nomeação marca para si o ponto de partida para uma nova aventura artística e humana. Portanto, hoje é também um aniversário que estamos aqui a comemorar.

A França presta-lhe homenagem, Caro Pedro Lapa, porque bem o merece.

O seu apego e o interesse pela cultura francesa estão, há muitos anos, presentes em vários momentos simbólicos do seu percurso.
Estou a referir-me especialmente à sua primeira exposição consagrada aos grandes mestres Carpeaux, Rodin, Bourdelle et Maillol, apresentada na Alliance Française de Lisboa, em 1992. Houve também as que consagrou a Francis Picabia, em 1997 no Centro Cultural de Belém e a exposição retrospectiva sobre Man Ray, em 2000 no Museu do Chiado.

As suas colaborações com as nossas grandes instituições culturais francesas também são notáveis.

A exposição “Life/Live”, apresentada no Centro Cultural de Belém, organizada em parceria com o Museu de Arte Moderna da Cidade de Paris, e a exposição “Centre Pompidou, Nouveaux Media 1965-2003”, deixaram uma marca duradoura na cena artística portuguesa. Pela primeira vez, os fundos vídeos do Centro Pompidou – únicos no généro – foram apresentados em Portugal.

Em 2008, é co-produtor da obra de Pierre Huygues “A forest of lines” para a Bienal de Sidney.

O seu apego ao pensamento francês traduz-se na sua escrita. É autor do ensaio « Vieira da Silva : the visible and the gap » sobre Maria Helena Vieira da Silva. Articula o seu pensamento com referência aos autores do pós-estruturalismo francês e integra as reflexões de autores como Roland Bathes, Michel Foucault, Jacques Lacan, Jacques Derrida, Gilles Deleuze ou ainda Alain Badiou e Jacques Rancière.
Mas, Caro Pedro Lapa, é sobretudo o seu sentido do compromisso que a França quer saudar hoje.

Como o disse e muito bem, a história de Portugal no século XX votou o meio artístico ao ostracismo durante várias décadas. Ora, acontece que fez com que os “seus museus” abrissem portas e defendeu que a arte contemporânea, como a arte em geral, devia ser acessível a todos.

E, como era sua ambição - bonita e grande -, o Pedro Lapa contribuiu, de forma decisiva, para dar alma nova à « proposta artística e cultural » portuguesa.

Cher Pedro Lapa,
Au nom du Ministre de la Culture et de la Communication et en vertu des pouvoirs qui me sont conférés, je vous remets les insignes de Chevalier de l’Ordre des Arts et des Lettres.

Publiée le 28/03/2012

Actualizado em: 28/03/2012

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