Escala em Portimão da Fragata francesa Hermione [fr]

A fragata Hermione, uma réplica da fragata francesa à vela do século XVIII, que permitiu a La Fayette atravessar o Atlântico e alcançar a América, fez uma escala no porto de Portimão nos dias 8, 9 e 10 de Maio.

Ao longo destes três dias, sob o signo da liberdade e de encontros interculturais, houve visitas a bordo, onde o visitante pôde assistir a espectáculos de música e animação, exposições e conferências.

A destacar, no âmbito de actividades ligadas à francofonia durante a escale da Hermione : uma Conferência, no dia 8, “A Hermione, uma aventura marítima e humana de excepção” (em francês) no Auditório do Museu de Portimão, seguida de uma conferência de imprensa; uma conferência (em francês) intitulada “A Lusofonia e a francofonia a hora da escolha” proferida por Ma-Umba Mabiala, Director da Educação e da Juventude na Organização Internacional da Francofonia (OIF), no dia 9 de Maio, no Auditório de Portimão ; um “atelier de sensibilização sobre a intercompreensão das línguas romanas”, animado por Encarnacion Carrasco, professora na Universidade de Barcelona, no dia 9 de Maio, no Auditório de Portimão.

Além disso, o porto de cruzeiros de Portimão transformou-se no “Village Hermione Lafayette”, com expositores de gastronomia, artesanato, artigos vários e com a presença de entidades oficiais.

“Livres juntos, do Atlântico ao Mediterrâneo”

“Para que a liberdade viva, será sempre necessário que os homens se ergam e lutem contra a indiferença ou a resignação”. Estas palavras de La Fayette ilustram com exactidão o projecto comum da aventura marítima e humana levada a cabo pela associação Hermione-La Fayette e a Organização Internacional da Francofonia (OIF) que se associaram para organizar esta viagem denominada: “Livres juntos, do Atlântico ao Mediterrâneo”. Uma viagem que se inscreve num movimento civil de juventude francófona lançado em 2016 pela OIF para promover os valores da liberdade, da solidariedade e da paz.

Uma equipa multicultural

Entre os 350 marinheiros que se substituirão ao longo das etapas da Hermione no Mediterrâneo, uma centena de pessoas oriundas de 34 países foram escolhidas pela OIF para integrar a tripulação. São estudantes, artistas, operários, empresários, engenheiros, de zonas urbanas ou rurais, que vêm do Gabão, do Vietname, do Senegal, da Moldávia ou do Canadá.

“Estas novas tropas enriquecem o espírito da Hermione: agora são todas as culturas do mundo que embarcam e aprendem a viver e a trabalhar em conjunto. Esta é a melhor prova de que é possível entenderem-se, apesar das diferenças de cultura, de género e de religião, afirmou o Comandante Yann Cariou, que acolheu e formou estes novos recrutas.

« Para abarcar o Mediterrâneo, viveiro cultural e palco de tantos desafios e fracturas, o navio navegará sob o estandarte da liberdade, da paz, do respeito e da diversidade. A sua tripulação multicultural defenderá, por exemplo, um certa ideia do que poderá ser o mundo do amanhã : aberto, solidário, misto e tolerante, indica a associação.

A Hermione iniciou a sua viagem a 30 de Janeiro de 2018 e regressará ao porto de origem, em Rochefort, na Charente-Maritime, no próximo dia 16 de Junho. O programa prevê doze escalas: La Rochelle, Tânger, Barcelona, Sète, Toulon, Marselha, Port Vendres, Nice, Bastia, Portimão, Pasaïa, Bordéus.

La Fayette, defensor das Liberdades

No final dos anos 1770, deflagrou uma rebelião entre a Inglaterra e os “revoltosos”, partidários da independência das colónias inglesas da América do Norte. De regresso da América, o jovem Gilbert du Motier, Marquês de La Fayette, conquistado pela causa da América, consegue obter o apoio da França. Embarca no dia 21 de Março de 1780 a bordo da Hermione e chega, após 38 dias de travessia, para dar apoio militar e financeiro às tropas de Washington. Dezoito meses mais tarde, saiu vitorioso. La Fayette, revelou-se, desde os 20 anos, um defensor dos direitos e das liberdades, um dos grandes pensadores e defensores dos princípios da igualdade perante a lei, da abolição da escravatura e de pena de morte…. A reconstrução da Hermione presta homenagem a La Fayette e conserva a memória de uma grande aventura de solidariedade entre os homens no espírito do movimento “Livres Juntos”.

História da Hermione

A Hermione é um navio de guerra francês construído em 1778 no arsenal de Rochefort, em Charrente-Maritime, muito próximo da Cordoaria Real. Navio com mais de 65 metros de comprimento, dotado de 1500 m2 de velas repartidas por três mastros, esta fragata fazia parte, juntamente com a Courageuse, a Concorde e a Fée, de uma série de quatro fragatas “ligeiras”, caracterizadas pela sua velocidade e capacidade de manobra. A Hermione estava armada com 26 canhões de 12 libras.

No dia 21 de Março de 1780, La Fayette deixa Rochefort a bordo da Hermione para se juntar ao general Washington e anunciar-lhe a chegada iminente de reforços franceses. Era a segunda viagem de La Fayette à jovem América: com efeito, em 1777, tinha embarcado a bordo do La Victoire para combater ao lado dos revoltosos americanos que lutavam pela sua independência. De regresso a França em Fevereiro de 1779, La Fayette esforçou-se para obter o apoio oficial da França e convenceu o rei Luis XVI e o seu estado-maior a conceder uma ajuda militar e financeira às tropas do General Washington. Esta segunda viagem de La Fayette foi um sucesso: dezoito meses após a sua chegada, os revoltosos americanos, com o apoio das tropas francesas comandadas por Rochambeau e de Grasse, ganharam a batalha de Chesapeake e tiveram uma vitória decisiva em Yorktown. La Fayette regressou a França em Janeiro de 1782.

Em 1997, a associação Hermione-La Fayette inicia a reconstrução da Hermione no antigo arsenal de Rochefort. A fragata foi lançada ao mar a 7 de Setembro de 2014. No passado dia 18 de Abril, deixou Rochefort em direcção aos Estados Unidos, seguindo os caminhos de La Fayette.

Arrivée à Portimão de la frágate Hermione
Escale à Portimão de l'Hermione
L'Ambassadeur Jean-Michel Casa à bord de l'Hermione
L'Ambassadeur Jean-Michel Casa avec les gabiers francophones
Olivier Pagezy, l'ambassadeur Jean-Michel Casa et le commandant Yann Cariou
Les gabiers

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Dossiê de imprensa
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publicado em 25/05/2018

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