Apresentação do livro sobre “O Palácio de Santos” e inauguração da nova iluminação da capela [fr]

O Palácio de Santos, sede da embaixada de França em Portugal desde 1870 é propriedade do Estado Francês desde 1909 e um exemplo notável do património português. No dia de 27 de janeiro de 2012, graças ao patrocínio de empresas portuguesas e francesas, ele presenciou um duplo evento que mais uma vez o valorizou.


Discurso de Pascal Teixeira da Silva, embaixador de França em Portugal,
por ocasião da apresentação do livro sobre “O Palácio de Santos”
e da inauguração da nova iluminação da capela e da sacristia do Palácio
(27 de Janeiro de 2012)

Tenho a honra e o prazer de os receber esta noite para um duplo acontecimento:
- a apresentação do livro sobre o Palácio de Santos;
- a inauguração da nova iluminação da capela e da sacristia.

Estes acontecimentos têm dois pontos em comum:
- ambos visam valorizar o Palácio de Santos, exemplo notável do património português, sede da embaixada de França em Portugal desde 1870 e propriedade do Estado Francês desde 1909;
- ambos beneficiaram do mecenato de empresas portuguesas e francesas.

Os meus agradecimentos são, antes de mais, para todos os que tornaram possível estas concretizações:

1 – O livro

Primeiramente, presto a minha homenagem:
. ao autor, Jean-Pierre Samoyault, que infelizmente não pôde estar presente esta noite (o que é pena, pois ele merece que o felicitem e lhe agradeçam). O Senhor Samoyault, conservador do património, ex-director do castelo de Fontainebleau, ex-administrador do mobiliário nacional, procurou que os arquivos e as paredes se revelassem ao máximo, recolhendo o conhecimento de inúmeras pessoas, para nos descrever a história e o conteúdo deste palácio. A sua grande competência como historiador e historiador de arte foi posta ao serviço de um texto denso mas, antes de mais, muito agradável de ler;
. ao fotógrafo Kenton Thatcher, aqui presente, que saúdo e a quem agradeço pela elegância com a qual soube captar a beleza e o encanto do local;
. ao editor, Alain Finet, também presente, que nos falará mais sobre a colecção na qual se insere este livro sobre a residência de França em Lisboa e sobre a aventura que representou a sua preparação e a sua edição;
. à tradutora, Patrícia Roman, que eu cumprimento, pela notável tradução do texto de Jean-Pierre Samoyault em português porque, tratando-se de um elemento do património português, este livro teria de ser bilingue, tornando-se acessível aos leitores portugueses e também porque a língua portuguesa soava – e soa ainda agora muitas vezes – por entre as paredes deste palácio.

Poderia estender os meus agradecimentos às muitas outras pessoas (algumas aqui presentes) que deram o seu contributo para a realização deste livro e que nele são citadas pelo autor e pelo editor.

Agradeço, ainda, a todas as empresas que, com a sua generosa contribuição, permitiram que este livro exista.

Aos dois mecenas portugueses:
• o Banco Espírito Santo - cumprimento o seu presidente, Dr. Ricardo Salgado. Aproveito esta ocasião para dizer que o Banco Espírito Santo também se distinguiu pelo seu apoio ao património e à cultura francesa em Portugal através da participação no restauro da Igreja de São Luís dos Franceses, inaugurada no passado no dia 24 de Outubro e na Festa do Cinema Francês;
• a Caixa Geral de Depósitos – saúdo o seu presidente, Dr. Faria de Oliveira.

E, ainda, às empresas francesas:
• Air France, Alcatel, Axa, Citroën, Essilor, GDF Suez, Gefco, Macif, Pernod-Ricard, Peugeot, Sanofi-Aventis, Saint-Gobain,Thalès, saudando os seus representantes, assim como o Senhor Guérand-Hermès pela sua contribuição pessoal.

Aproveito para agradecer a todos quantos apoiam também as nossas actividades culturais e a comemoração do 14 de Julho.

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Este livro é magnífico e faz justiça à história deste local que começa no século IV com o martírio dos três irmãos (Máxima, Júlia, Veríssimo), proclamados santos e que, por isso, lhe deram o nome. Esta história está estreitamente ligada à história de Portugal. O Palácio foi residência real no século XVI.
Diz-se que foi daqui que D. Sebastião partiu para Lagos e depois para Marrocos para travar a funesta batalha de Alcácer Quibir. O Palácio conta-nos também muito sobre uma ilustre família, os Lancastre (título de marquês d’Abrantes a partir de 1780) de que foi propriedade durante três séculos. É um testemunho da arte portuguesa dos séculos XVII e XVIII e o salão das porcelanas, com os seus 261 pratos de porcelana azul-e-branco mostra, de uma maneira original e esplendorosa, o papel percursor que Portugal teve no princípio das ligações comerciais directas com a China. Numa altura em que se fala tanto do interesse que a China tem pela economia portuguesa, não será descabido lembrar que Portugal e a China se conhecem há muito tempo.

Mas este livro não apareceu do nada. Já outras obras tinham sido feitas sobre o Palácio. Quero cumprimentar também Hélder Carita, presente aqui, esta noite, autor de um livro editado há cerca de quinze anos e que foi uma referência formidável sobre a historiografia do Palácio.

2 – A iluminação do oratório e da sacristia

Pretendi associar à apresentação do livro a inauguração da nova iluminação do oratório e da sacristia. Sabemos que a iluminação de um local tão denso e rico – incluindo no que se refere a obras contemporâneas, uma vez que a sacristia abriga cinco painéis de Vieira da Silva – é crucial para a sua valorização. Esta não era, no entanto, uma prioridade para o Estado que ainda tem tanto a fazer aqui – falarei disso mais tarde – mas era uma intervenção que contribuiria indubitavelmente para valorizar este pequeno tesouro.

Réfection de l'éclairage. Pose de la plaque "Mécènes". - JPEG

E, por isso, os meus agradecimentos são também para :

• o Engenheiro Vítor Vajão - aqui presente e que eu saúdo - eminente especialista da iluminação dos monumentos históricos e das obras de arte que a meu pedido concebeu um projecto de renovação da iluminação que era, anteriormente, cheia de defeitos e não valorizava este pequeno guarda-jóias. Associo a estes agradecimentos a empresa que realizou a obra.

• as empresas Cegelec – cumprimento o seu presidente Bruno Nicolas - e o grupo Henner – saúdo igualmente a sua representante, Maria-Pia Gil - que financiaram esta renovação. Esta participação público-privada é o fruto de um encontro, um pouco por acaso, e como o acaso faz bem as coisas, estou feliz por lhes mostrar o resultado final. Daqui a pouco iremos instalar a placa de homenagem a esta generosidade.

3 – a manutenção e a restauração do palacio

Este duplo acontecimento dá-me a ocasião para falar um pouco da responsabilidade que a França tem de zelar pela manutenção e, quando se torna necessário, da restauração, deste Palácio. Puderam observar (mesmo nesta sala) que há reparações e melhoramentos a fazer. Creio poder assegurar-vos não só da nossa vontade mas também da nossa capacidade de os realizar.

Outras importantes obras, das quais uma grande parte não é perceptível, concretizaram-se entre Agosto e Outubro de 2011. Elas permitiram:
- substituir o sistema de evacuação das águas usadas e da chuva;
- remover completamente as cozinhas e copas;
- eliminar a maior parte dos problemas de humidade e de infiltração de que sofriam as paredes do lado do jardim.

Agora, vamos restaurar as pinturas e as decorações das superfícies interiores destas paredes, assim como o quadro grande que se encontra na sacristia e que também sofreu danos. As obras estão previstas para este semestre.

Além disso, será nomeado um arquitecto dos monumentos históricos para fazer um estudo de todas as obras que ainda estão por fazer no Palácio e nos jardins. Trata-se de ter um programa de conjunto e de identificar as acções que poderiam interessar a um mecenato de empresa, como o que já se faz em França.

Ao mesmo tempo que cuidamos do Palácio, desejamos facilitar o acesso, tanto a grupos interessados pelo património lisboeta, como ao público em geral, uma vez por ano, quando das jornadas do património. No passado mês de Setembro recebemos mais de 250 visitantes num dia e meio e tenho o desejo de alargar, este ano, a abertura do Palácio a um fim de semana inteiro, para que um maior número de pessoas possa descobrir este local de excepção.

Terminarei com uma menção à Igreja de São Luís dos Franceses, também propriedade do Estado francês em Lisboa, magnífico edifício dos séculos XVII e XVIII, que foi alvo de um restauro minucioso e notável. A Igreja abriga também lindíssimas pinturas, entre as quais um quadro de 1620 representando o centro de Lisboa visto do Tejo. Infelizmente esta Igreja não se encontra permanentemente aberta por razões de segurança mas, além da missa do domingo de manhã, começa a ser local para concertos (as condições acústicas são óptimas e o órgão Cavaillé-Coll soa magnificamente). Desejo também que ela possa estar aberta durante todo o fim de semana das próximos jornadas do património.

Obrigado a todos os que fizeram este livro e tornaram possível a sua edição; obrigado a todos os que contribuíram para a renovação da iluminação; obrigado a todos vós, amigos da França e do património português, por estarem presentes esta noite.

publicado em 03/02/2012

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